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Uma lenda construída sem reis condecorados


A transferência de Cucurella para o Real Madrid foi anunciada apenas no início do torneio. | Crédito da foto: AFP

Algures entre a vitória de Ferran Torres no prolongamento e a conquista do troféu, 12 emblemas de clubes ganharam um pedaço da história. O segundo título da Espanha no Campeonato do Mundo uniu os clubes, as suas academias e ligas espalharam-se por toda a Europa, e o colapso conta uma história tão interessante como o próprio triunfo.

A LaLiga dominou em números, com 17 dos 26 jogadores vindos da primeira divisão espanhola, um ponto que o presidente da liga, Javier Tebas, rapidamente fez para provar seu valor. A Premier League forneceu sete e a Bundesliga e a Ligue 1 um cada, reflectindo como o futebol espanhol tem mantido os seus maiores talentos perto de casa, mesmo quando os problemas financeiros da primeira divisão inglesa os atraem para outros lugares.

O Barcelona liderou a representação individual do clube com nove jogadores, de Lamine Jamala e Pedri a Pau Cubarsi, destacando um elenco muito moldado pela linha de produção La Masia. “Atletico” Madrid, “Athletic” Bilbao e “Arsenal” enviaram três jogadores cada. Mikel Merino, recém-conquistado o título da Premier League com os Gunners, levou essa vitória para a Copa do Mundo com gols enfáticos contra Portugal e Bélgica.

Talvez o detalhe mais marcante, porém, fosse quem estava faltando. Pela primeira vez na história da Espanha na Copa do Mundo, nenhum jogador do Real Madrid foi incluído no elenco, uma omissão significativa para o clube de maior sucesso do país. A transferência de Mark Cucurella do Chelsea para o Real, confirmada durante o torneio, só aumentou a ironia.

O futebol tem um jeito de humilhar até mesmo as suas maiores instituições, e a ausência do Real é prova suficiente. A Espanha não precisava que o seu clube mais condecorado voltasse a ser campeão; foram necessários apenas 26 jogadores de dez vestiários diferentes.



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