A crise de pessoal em oncologia nos Estados Unidos está comprometendo o atendimento de milhões de pacientes justamente quando mais precisam. Com aproximadamente 2 milhões de novos casos de câncer esperados em 2025 e mais de 18 milhões de sobreviventes, a escassez de força de trabalho em oncologia tornou-se crítica. Particularmente preocupante é que cerca de dois terços dos condados rurais, abrigando aproximadamente 32 milhões de pessoas, não possuem nenhum oncologista. Neste artigo, exploramos como essa oncology workforce shortage afeta as proporções de pessoal em clínicas de oncologia, examinamos os benchmarks de pessoal em oncologia necessários e discutimos as prioridades para fortalecer o sistema de saúde.
Escassez de Profissionais em Oncologia Afeta Milhões de Pacientes
A distribuição geográfica dos oncologistas no Brasil revela disparidades alarmantes que comprometem o acesso ao tratamento. Três quartos desses profissionais concentram-se no Sudeste, enquanto as demais regiões abrigam 55% da população do país. Apenas 6,7% dos municípios brasileiros possuem ao menos um oncologista, forçando pacientes a percorrer longas distâncias para consultar especialistas.
A proporção de novos casos de câncer por médico oncologista atingirá 576 em 2020, um crescimento de 68,7% desde 2014. No Centro-Oeste, região mais desabastecida, havia apenas três vagas de residência em oncologia clínica em 2006, número que subiu para seis. A situação é ainda mais crítica no Norte, onde a concentração de médicos da especialidade representa apenas 3% do total nacional.
A maioria dos pacientes espera até seis meses para agendar a primeira consulta, e 95% passam por até quatro especialistas diferentes antes de fechar o diagnóstico. Cerca de 20 meses é a espera pelo início do tratamento no sistema público de saúde. O Instituto Nacional do Câncer enfrenta déficit de 257 médicos, ademais, mais de 450 exames permanecem parados há meses por falta de patologistas.
Relatório Identifica Três Prioridades para Fortalecer a Força de Trabalho
O Instituto Nacional de Câncer implementou curso de aperfeiçoamento multiprofissional com carga horária de 2.208 horas. O programa desenvolve competências específicas para assistência oncológica integral, abordando dilemas éticos enfrentados por equipes multiprofissionais e aplicação de princípios básicos de gestão em saúde. Estudos revelam que 93,5% dos hospitais da rede de assistência ao paciente com câncer possuem equipe multiprofissional.
A Rede Onco Ensino, projeto criado para melhorar o atendimento através da educação, emitiu mais de 35 mil certificações desde 2016. A plataforma disponibiliza mais de 40 cursos em modalidade EAD com tutoria especializada, cobrindo promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Os treinamentos têm início imediato e período de 12 meses de acesso.
A cooperação técnica entre OPAS e Brasil fortalece a capacidade de gestão com enfoque multiprofissional e integral. Desde 2000, o Projeto Expande desenvolveu 24 projetos para criação e ampliação de unidades de alta complexidade em oncologia em 11 estados. O PER-SUS prevê implantação de 100 soluções de radioterapia, contemplando equipamentos e infraestrutura.
Sobreviventes de Câncer e Demanda Crescente Pressionam Sistema de Saúde
O tempo de sobrevida após diagnóstico e tratamento tem aumentado nos últimos anos, devido às estratégias de detecção precoce e ao avanço das terapias antineoplásicas. Sobreviventes apresentam necessidades não atendidas capazes de impactar negativamente a qualidade de vida, incluindo sequelas tardias físicas e psicossociais. O acompanhamento após tratamento envolve consultas periódicas, exames direcionados e suporte emocional, permitindo detecção precoce de recidivas e controle de efeitos colaterais tardios.
Paralelamente ao crescimento da população de sobreviventes, os casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos cresceram 284% no SUS entre 2013 e 2024. Globalmente, foram registrados 1,82 milhão de novos casos nessa faixa etária em 2019, representando aumento de 79% desde 1990. As projeções indicam crescimento de 31% até 2030.
O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Excluindo tumores de pele não melanoma, são previstos cerca de 518 mil diagnósticos anuais. O custo do tratamento varia conforme estágio da doença, atingindo R$ 525,60 mil para câncer de mama em estágio IV.
Conclusão
A crise de pessoal em oncologia representa desafio urgente que não podemos ignorar. Como observamos, a distribuição desigual de oncologistas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, compromete milhões de brasileiros. Os programas de capacitação multiprofissional e a expansão da infraestrutura surgem como caminhos essenciais. Acima de tudo, precisamos agir rapidamente, pois a demanda crescente de sobreviventes e novos casos exige resposta coordenada para garantir atendimento digno a todos os pacientes.


