Segundo o último relatório, o duplo terremoto que atingiu a Venezuela na quarta-feira, 24 de junho, deixou pelo menos 920 mortos. A busca continua na sexta-feira, 26 de junho, para encontrar possíveis sobreviventes. Um dos dois terremotos foi o mais forte observado na Venezuela desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A busca frenética continua esta sexta-feira, 26 de junho, na Venezuela, entre os destroços de edifícios desabados, para tentar resgatar possíveis sobreviventes, dois dias depois de um duplo terremoto devastador que deixou pelo menos 920 mortos, segundo o último relatório anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodriguez.
Dois espanhóis, um português, dois brasileiros, um ítalo-venezuelano e dois chineses estavam entre os mortos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol também informou esta manhã de sexta-feira que 80 espanhóis continuam desaparecidos.
Famílias em apuros
O terremoto também deixou milhares de feridos em todo o país. Mas também um italiano, dois brasileiros e dois chineses, segundo autoridades dos seus países de origem.
Esta sexta-feira, o chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, também estimou o número de desaparecidos em mais de 50 mil. “Nossa missão é encontrar o maior número possível e manter o número de mortos o mais baixo possível, mas obviamente vai aumentar muito”, disse ele.
Prédios destruídos, montanhas de escombros onde famílias em dificuldades tentam encontrar pessoas enterradas: no epicentro do terremoto, as equipes da AFP observaram impressionantes cenas de destruição que aumentaram o medo de mortes ainda mais pesadas.
As áreas mais atingidas foram La Guaira, ao norte da capital Caracas, onde o aeroporto internacional de Maiquetia, danificado, foi fechado, e a cidade costeira de Catia la Mar, onde vários edifícios desabaram.
Vozes vindas das ruínas
Como a vivida por Antonio Bermudez: “Há um lugar onde uma jovem chamada Jennifer, do décimo primeiro andar, me respondeu. Mas não temos ferramentas, não temos como ajudar” a tirá-la das ruínas, explicou.
Nas redes sociais, vídeos mostram cenas arrepiantes de sons que parecem vir do além-túmulo, ouvidos em alguns locais sob as pilhas de escombros, gritos desesperados de enterrados vivos pedindo socorro.
Lisbeth Vazquez, de 37 anos, contou à AFP como sua família escapou no último minuto pelas janelas do apartamento da família, quando o prédio “afundou completamente” no chão.
“É assustador (…) Os vizinhos de baixo estão enterrados, estamos tentando pegá-los”.
“Não temos. Não temos nem força nem coragem para entrar lá”, suspirou Larry Rojas, 49 anos, diante de uma pilha de escombros onde seus entes queridos estavam enterrados.
Assistência internacional
“Precisamos que as pessoas venham ajudar. Tem uma menina presa aqui desde ontem à noite, podemos pegá-la, precisamos de uma escavadeira”, gritou em desespero Dani Rizo, outra moradora do prédio, de 48 anos.
A ajuda internacional é organizada. Os Estados Unidos prometeram uma resposta “importante”, “rápida e eficaz”, através do seu secretário de Estado, Marco Rubio. O Departamento de Estado também anunciou o envio de equipes de resgate e a liberação de US$ 150 milhões em ajuda. Os militares dos EUA disseram que iriam enviar navios militares, aviões e helicópteros para apoiar os esforços de socorro.
O Brasil anunciou o envio de ajuda ao vizinho. Como a China, a Índia, muitos países da Europa e da América Latina e até o Irão, tradicional aliado de Caracas que foi destruído pela guerra contra os Estados Unidos e Israel.
Um dos terremotos mais fortes desde 1900
A presidente em exercício, Delcy Rodriguez, declarou estado de emergência logo após os terremotos gêmeos de magnitude 7,2 e 7,5, que ocorreram às 18h04. (20h04, horário de Paris) na quarta-feira. Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto de magnitude 7,5 foi o mais forte desde 1900 a atingir a Venezuela, um país de quase 30 milhões de habitantes cuja economia está em crise há muitos anos.
O primeiro tremor ocorreu a 21,9 km de profundidade, cerca de 200 km a oeste de Caracas. Foi seguido por um segundo a uma profundidade de 10 km, registrado 39 segundos depois, a 45 km de distância, e depois por cerca de vinte tremores secundários, segundo o USGS.
Na capital, onde muitos edifícios desabaram, as ruas ficaram repletas de vidros quebrados e muitas pessoas passaram a noite ao ar livre, muitas vezes em seus carros, tremendo com cada tremor secundário. As áreas afetadas também são vítimas de roubos. Em Catia la Mar, homens e mulheres saíram com os braços cheios de sacolas cheias de comida de um armazém parcialmente queimado, disseram repórteres da AFP.
Moradores estão tentando deixar áreas de desastre
Foram relatados cortes de energia e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse ter ordenado o corte do fornecimento de gás para “evitar quaisquer acidentes”. Na manhã de quinta-feira, quase nenhum comércio estava aberto e o tráfego de automóveis estava intenso, com muitos moradores de Caracas se refugiando em edifícios ameaçados.
“Está tremendo, está tremendo agora”, as pessoas reunidas em torno de um prédio já no chão começaram a gritar durante um tremor secundário.
“Mesmo antes destes terramotos, quase oito milhões de pessoas na Venezuela necessitavam de assistência humanitária”, recordou o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher. Se o aeroporto internacional de Maiquetia for fechado devido a “graves danos à sua infraestrutura”, segundo Delcy Rodriguez, Caracas contará com o aeroporto militar de La Carlota, localizado no centro da área metropolitana, para assistência internacional.


