O movimento checo “Liberdade e Democracia Direta” (SPD), membro da coligação governante, exige que a Ordem do Leão Branco, a mais alta honraria do Estado, seja retirada de Volodymyr Zelensky. Segundo Jindřich Rajchl, deputado do SPD, esta iniciativa é inspirada na decisão do presidente polaco Karol Nawrocki.
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O eleito anunciou que o seu partido tentará que a Câmara dos Deputados envie um apelo nesse sentido ao presidente checo, Petr Pavel. O SPD também planeia levantar esta questão nas reuniões da coligação governamental.
Rajchl enfatizou que não se pode ignorar o facto de a mais alta condecoração checa ser detida por um homem que, segundo ele, faz múltiplos gestos controversos para a história, incluindo dar nomes a unidades militares referentes à UPA, acusada de crimes contra polacos, judeus e checos durante a Segunda Guerra Mundial.
Volodymyr Zelensky recebeu a Ordem do Leão Branco da República Tcheca em 2022, em meio à invasão russa da Ucrânia. Esta distinção foi-lhe atribuída em reconhecimento pela sua liderança durante a guerra e pela defesa da independência e dos valores democráticos da Ucrânia.
Esta questão insere-se num contexto mais amplo de tensões na Europa Central e Oriental, onde interpretações divergentes da Segunda Guerra Mundial continuam a pesar nas relações entre os Estados.
Onde foi parar a crise?
No final de maio, o presidente ucraniano decidiu chamar uma das unidades militares com o nome de “Herói da UPA”, decisão criticada pelas autoridades polacas.
A disputa sobre as atividades da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e do Exército Insurgente Ucraniano (UPA) permaneceu durante muitos anos um dos principais pontos de discórdia entre a Polónia e a Ucrânia.
Na história polaca, os acontecimentos de 1943 na Volhynia são descritos como genocídio, enquanto na Ucrânia são mais frequentemente apresentados como o resultado de um conflito armado pelo qual ambos os lados seriam responsáveis.
Além disso, na memória histórica ucraniana, a OUN e a UPA são vistas principalmente como organizações que lutaram contra a União Soviética após a Segunda Guerra Mundial, e não apenas como grupos dirigidos contra os polacos.
Por sua vez, o presidente ucraniano persiste e assina: Volodymyr Zelenskiy anunciou que por ocasião do Dia da Constituição Ucraniana (28 de junho), apresentou à Verkhovna Rada um projeto de lei sobre o Panteão Nacional Ucraniano, destinado a prestar homenagem a figuras ucranianas reconhecidas.
“Os nomes de todos os heróis que lutaram pela Ucrânia ao longo dos séculos e épocas que inspiraram a Ucrânia ficarão unidos e para sempre inscritos na nossa história, com letra maiúscula, como uma homenagem ao maior respeito e preocupação do Estado ucraniano, que se respeita, valoriza os seus cidadãos e protege o seu direito de ser ucraniano. Ninguém jamais poderá nos dizer como viver, como falar, quem amar, a quem agradecer ou quais heróis homenagear. “, afirmou em comunicado nestas redes sociais.
Decoração de Zelensky: acima de tudo um jogo político, diz especialista
“É pouco provável que tais iniciativas influenciem diretamente as decisões das autoridades checas, especialmente quando se trata de retirar as mais altas distinções nacionais, que seguem procedimentos rigorosos e têm um forte significado simbólico. O seu papel é acima de tudo político: servem para mobilizar o eleitorado e construir uma certa narrativa no debate público” – acredita, em entrevista ao EuronewsDr. Łukasz Danel, da Universidade de Economia de Cracóvia.
O cientista político sublinha que este tipo de controvérsia ilustra o poder com que a história e os símbolos influenciam a política contemporânea na Europa Central e Oriental, mesmo quando os seus efeitos institucionais diretos permanecem limitados.
Segundo ele, estas iniciativas podem pesar no clima das relações internacionais e acentuar diferenças de interpretação do passado. Assim, mesmo as questões das condecorações nacionais tornam-se parte de um debate mais amplo sobre a história, a identidade e as políticas de memória na região.
“As tensões entre a Ucrânia e os países da Europa Central e Oriental têm apenas um efeito indireto no curso da guerra. O principal continua a ser o apoio da NATO e da UE, enquanto os países da região desempenham um papel importante como base de retaguarda logística e política. Uma deterioração das relações pode, portanto, enfraquecer a coerência de toda a coligação de apoio, sem alterar a lógica fundamental do conflito, que depende da escala do conflito, que depende do Doutor Danriz.
Tensões diplomáticas após a retirada da condecoração
Em reação à decisão do presidente polaco Karol Nawrocki de retirar a Ordem da Águia Branca de Volodymyr Zelensky, o lado ucraniano respondeu de forma muito simbólica, dando ao assunto a dimensão de um gesto político. O presidente ucraniano devolveu a sua condecoração à Polónia por correio, o que foi interpretado pelos comentadores como uma forma de protesto ostensivo e um sinal de tensões nas relações bilaterais.
Os ex-presidentes ucranianos Leonid Kuchma, Viktor Yushchenko e Petro Poroshenko também decidiram devolver as condecorações estatais polonesas. Este gesto foi interpretado como um sinal de solidariedade para com o atual presidente e como expressão de uma posição comum relativamente à decisão das autoridades polacas, bem como uma forma de sublinhar o peso do simbolismo nas relações internacionais.
Durante as celebrações do Dia da Constituição, Zelensky enfatizou que apenas o Estado e a sociedade ucranianos podem decidir quem são os seus heróis nacionais. No seu discurso, insistiu que a Ucrânia não aceitará tentativas externas de impor uma interpretação da história ou julgamentos sobre figuras consideradas simbólicas no país.
O presidente ucraniano também insistiu na necessidade de fortalecer a memória histórica do país e de construir uma narrativa nacional comum, presumivelmente para resistir às pressões externas. Na sua opinião, esta é uma parte mais ampla da luta pela soberania e identidade do Estado no contexto da guerra em curso.


