O chef combina produtos africanos e franceses na sua cozinha. Ele também planeja influenciar o Senegal e a Mauritânia, de onde é originário. Assim, ele estabeleceu fazendas para proporcionar sustento à população local.
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Jules Niang é um Fulani, um povo nômade da África Ocidental. Com o pai mauritano e a mãe senegalesa, veio para França aos 26 anos para estudar gestão e finanças. Ele trabalhava em restaurantes para ganhar a vida e acabou fazendo disso sua carreira.
Ele abre seu próprio restaurante Pequeno Ogro em 2013 em Lyon. Mas a virada veio depois, graças a um grande chef francês. “Quando alguém me pergunta qual é o meu trabalho, posso dizer que é dono de restaurante ou empresário, mas não cozinheiro. E então me deparei com um livro de Pierre Guener chamado O princípio das emoçõesonde explicou o que o levou a cozinhar. Este aspecto da troca funcionou para mim. Foi a partir daí que comecei a encontrar o meu caminho. Conte a sua história, conte-nos quem somos, o que temos a trazer para a cultura que nos acolhe“.
A sua cozinha combina produtos africanos e franceses. Assim ele compõe a comida de “amêijoas, espuma de bissap branco (bissap, flor de hibisco) e lentilhas Puy“ou mesmo um”tartelete de milho, creme de mascarpone de baunilha, avelãs torradas, caramelo com manteiga e sal“Ele usa o cheiro que sentiu na infância para compor seus pratos.”Cresci numa aldeia africana na Mauritânia, às margens do rio Senegal. Pescava, cultivava, era pastor, por isso tenho uma boa relação com a natureza e os produtos“.
Autodidata, ainda continua treinando e não esquece os bons conselhos da avó paterna: “Quando alguém te perguntar se você sabe fazer alguma coisa, sempre diga que não sei, mas me mostre. Ou mostramos o que você já sabe, e nesse caso isso reforça sua competência, ou mostramos algo novo e você aprende uma nova habilidade.“
Para sustentar a família, Gilles Niang estabeleceu fazendas na Mauritânia e no Senegal. “Quando chegamos nessas fazendas, a gente vem, vê o que está crescendo, deixa crescer naturalmente e acrescenta as coisas que as pessoas consomem localmente. Eram limões, mangas, moringas e depois gado. Quando a gente vem para essas fazendas a gente tem uma espécie de autonomia, não precisa sair da fazenda para comer. É possível restaurar a vida no deserto. No início, todos disseram que não daria certo. E agora as pessoas entendem que é possívelSua iniciativa decolou: surgiram cerca de dez fazendas por toda parte.


