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Reformulação Estratégica no Instagram: Do Fim dos Filtros de Terceiros ao Controle Total do Algoritmo

O ecossistema do Instagram está passando por uma transformação profunda que altera tanto as ferramentas de criação quanto a experiência de consumo de conteúdo na plataforma. Em um movimento que pegou a comunidade digital desprevenida nesta terça-feira (27), a Meta anunciou mudanças drásticas que impactam diretamente criadores de Realidade Aumentada (RA) e, simultaneamente, projeta um futuro onde o usuário comum terá muito mais poder sobre o que vê em seu feed a partir de 2026.

O encerramento do Meta Spark e os impactos na criação

A notícia mais imediata e impactante refere-se ao desmantelamento da infraestrutura de criação de filtros por terceiros. A empresa confirmou que encerrará a plataforma Meta Spark, ferramenta lançada em 2017 que democratizou a criação de efeitos de RA para Stories e Reels. A partir de 14 de janeiro de 2025, apenas os filtros desenvolvidos internamente pela própria Meta estarão disponíveis para uso, eliminando efetivamente a vasta biblioteca construída por marcas e criadores independentes ao longo dos últimos anos.

Em comunicado oficial divulgado no blog do Meta Spark, a gigante da tecnologia justificou a decisão afirmando que, após uma avaliação completa, optou-se por descontinuar as ferramentas e conteúdos de terceiros para priorizar outros produtos. A empresa argumenta que esse redirecionamento de recursos é necessário para atender melhor às demandas futuras de consumidores e clientes empresariais, embora não tenha entrado em detalhes sobre quais seriam essas novas prioridades.

Preservação de conteúdo e backup para criadores

Para os usuários que já publicaram Reels ou Stories utilizando esses filtros, há um alívio: a Meta garantiu que esses conteúdos não serão removidos da plataforma. No entanto, para os desenvolvedores e designers que investiram tempo na criação desses ativos, a janela para salvar seus portfólios está se fechando. É recomendável que os criadores acessem o Meta Spark, naveguem até a aba de efeitos e realizem o download de seus arquivos o quanto antes. Caso haja vídeos de demonstração associados aos projetos, o processo exige entrar nos detalhes de cada efeito para baixar o material demonstrativo através do menu de opções.

Um novo horizonte de personalização para 2026

Enquanto restringe as ferramentas de criação de RA, o Instagram parece caminhar na direção oposta quando o assunto é o consumo de conteúdo, oferecendo mais liberdade ao usuário. A plataforma iniciou a implementação de um novo conjunto de controles, projetados para refinar drasticamente as recomendações do algoritmo, com previsão de expansão total para usuários de língua inglesa e globalmente ao longo de 2026.

A novidade, batizada de “Seu Algoritmo” (Your Algorithm), permite que o usuário calibre ativamente o que deseja ver. Ao assistir aos Reels, será possível notar um ícone no canto superior direito — representado por duas linhas com corações. Ao tocar nele, abre-se um painel onde a plataforma exibe os tópicos que acredita serem do seu interesse, permitindo que você sinalize explicitamente se deseja ver mais ou menos daquele assunto. Essa funcionalidade também poderá ser acessada através das configurações de preferências de conteúdo.

Desafios técnicos e o contexto da indústria

A proposta é que o Instagram lidere o caminho na oferta de controle, garantindo que a aba Reels e, futuramente, o Explorar, sejam relevantes e personalizados. Contudo, os primeiros testes indicam que o sistema ainda precisa de refinamento. Alguns usuários relataram imprecisões na categorização, como o algoritmo confundir vídeos de esqui com snowboard ao tentar ajustar as preferências. Ainda assim, a capacidade de vetar tópicos indesejados representa um avanço significativo na customização da experiência na rede social.

Essa movimentação do Instagram não acontece no vácuo, mas sim em resposta a uma tendência de mercado onde a Inteligência Artificial é usada para hiper-personalização. O Spotify, por exemplo, anunciou recentemente as “Prompted Playlists” para assinantes Premium na Nova Zelândia, uma ferramenta baseada em IA que permite aos usuários descreverem o que querem ouvir, levando em conta todo o histórico de reprodução. Diferente das listas geradas automaticamente no passado, essas novas tecnologias buscam dar ao usuário a sensação de criar sua própria curadoria dinâmica, algo que o Instagram agora tenta replicar visualmente para 2026.